Da pesquisa em polímeros à formação de pesquisadores
A carreira da professora Marysilvia Ferreira da Costa revela como conhecimento científico, colaboração e persistência podem contribuir para transformar a universidade e ampliar as possibilidades de inovação.
Uma carreira científica não pode ser compreendida apenas pela quantidade de artigos publicados, projetos desenvolvidos ou títulos conquistados. Embora esses elementos ajudem a dimensionar a produção acadêmica, existe uma parte importante dessa história que não aparece nos currículos: o trabalho necessário para consolidar uma área de pesquisa, as parcerias que tornam novos projetos possíveis, os estudantes que encontram caminhos profissionais dentro dos laboratórios e as decisões que, ao longo dos anos, ajudam a aproximar a universidade das necessidades da sociedade.
Essa perspectiva esteve presente na defesa pública de memorial da professora Marysilvia Ferreira da Costa, realizada no contexto de sua promoção à Classe D, Professora Titular. A apresentação reuniu diferentes momentos de sua trajetória e permitiu observar como pesquisa científica, inovação tecnológica, formação de profissionais e gestão acadêmica se relacionam na construção de uma carreira universitária.
Com formação em Química e experiência internacional em pesquisa, a professora construiu sua atuação na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), especialmente na área de engenharia de materiais e polímeros. Ao longo desse percurso, participou da estruturação de atividades de pesquisa, desenvolveu projetos em colaboração com instituições e empresas e contribuiu para a formação de profissionais que seguiram caminhos na academia, na indústria e no setor público.
A história também ajuda a compreender uma característica fundamental da ciência: resultados relevantes raramente surgem de forma imediata. Antes de uma tecnologia alcançar uma aplicação prática, existe um processo que envolve investigação, infraestrutura, financiamento, cooperação e persistência. Em muitos casos, são necessários anos de trabalho para que uma pergunta científica se transforme em conhecimento consolidado e, posteriormente, em uma possibilidade de inovação.
Uma formação que começou antes da universidade
Nascida em São Carlos, no interior de São Paulo, Marysilvia iniciou sua trajetória acadêmica na área de Química, na Universidade de São Paulo, em São Carlos. Sua formação incluiu mestrado em Físico-Química, doutorado, doutorado-sanduíche no Massachusetts Institute of Technology (MIT) e, posteriormente, pós-doutorado também na instituição norte-americana.
Essa formação reuniu diferentes etapas de aprofundamento científico e contato com ambientes de pesquisa. Mas a apresentação de seu memorial também destacou uma dimensão anterior à carreira universitária: as condições familiares e as oportunidades educacionais que contribuíram para a construção desse caminho.
As dificuldades financeiras enfrentadas pela família e a decisão dos pais de proporcionar às filhas oportunidades que eles próprios não tiveram foram lembradas como parte dessa história. Nesse contexto, a educação aparece não apenas como instrumento de qualificação profissional, mas como uma possibilidade concreta de ampliar horizontes e modificar perspectivas de futuro.
A dimensão humana é importante para compreender o percurso de profissionais que chegam à pesquisa científica. Por trás de uma formação acadêmica extensa, existem escolhas, oportunidades, apoio familiar e condições que permitem a continuidade dos estudos. A ciência depende de conhecimento especializado, mas também de pessoas que encontram meios para desenvolver esse conhecimento e compartilhá-lo.
A experiência internacional também integrou a formação da professora, ampliando seu contato com ambientes científicos e novas possibilidades de investigação. Posteriormente, esse percurso se conectaria à atuação na UFRJ e à construção de uma área de pesquisa que exigiria não apenas domínio técnico, mas capacidade de articulação e planejamento de longo prazo.
A chegada à UFRJ e os desafios da engenharia de materiais
A relação de Marysilvia com a UFRJ começou em 1996, em um período de busca por profissionais ligados à engenharia de materiais. Em 1998, ela tomou posse como professora adjunta do Programa de Engenharia Metalúrgica e de Materiais (PEMM).
A chegada à universidade marcou o início de uma etapa que exigiria a combinação entre atividade docente, desenvolvimento científico e construção de infraestrutura para pesquisa. Um dos principais desafios era implantar e consolidar uma área dedicada aos polímeros dentro de um departamento tradicionalmente associado à metalurgia.
A tarefa não se limitava à definição de linhas de investigação. Para que uma área científica se estabeleça, é necessário criar condições para que os projetos sejam realizados, reunir equipamentos, formar equipes, obter recursos e desenvolver relações de cooperação. Também é preciso preparar estudantes e pesquisadores capazes de dar continuidade ao trabalho.
De acordo com o memorial, foram aproximadamente dez anos até que a área de polímeros encontrasse um caminho de consolidação. O período dimensiona o esforço necessário para estruturar uma frente de pesquisa em um ambiente acadêmico que precisava ampliar suas possibilidades de atuação.
A trajetória incluiu iniciativas como o programa FAPERJ Jovem Cientista, uma missão em Leipzig e projetos desenvolvidos em colaboração com o Cenpes. Em 2002, surgiu o LASPOL, em parceria com o professor Celio. Em 2005, a colaboração com a empresa Tigre ampliou as possibilidades de atuação, enquanto outros projetos contribuíram para a evolução das atividades de pesquisa.
A construção e o desenvolvimento dos laboratórios aparecem, nesse contexto, como parte central do trabalho. O percurso registrado no memorial acompanha essa evolução até chegar ao LPCM, apresentado como um laboratório de referência na área de Metalurgia.
Mais do que uma sequência de datas, essa trajetória evidencia o papel da continuidade no desenvolvimento científico. Uma área de pesquisa não se consolida apenas com uma boa ideia. Ela precisa de estrutura, recursos, pessoas qualificadas e projetos capazes de sustentar sua evolução ao longo do tempo.
Pesquisa em polímeros: compreender o comportamento dos materiais
Os polímeros estão presentes em diferentes setores da indústria e em aplicações que exigem propriedades específicas de resistência, durabilidade e desempenho. Conhecer o comportamento desses materiais é fundamental para avaliar suas possibilidades de utilização, identificar limitações e desenvolver alternativas para aplicações existentes ou futuras.
Na trajetória apresentada por Marysilvia, uma das frentes de investigação envolve o comportamento de materiais empregados em sistemas que precisam manter suas propriedades em condições de operação específicas. Entre os temas abordados está a camada de barreira de pressão, cuja ruptura pode ocasionar vazamentos.
Para compreender esse tipo de fenômeno, a pesquisa investiga corpos de prova e observa variações ao longo da espessura do material. A análise permite examinar características que nem sempre são perceptíveis a partir de uma avaliação superficial, contribuindo para o entendimento do comportamento do polímero e de sua capacidade de cumprir determinada função.
Esse tipo de investigação ilustra uma característica do trabalho científico: problemas de grande impacto podem exigir o estudo detalhado de fenômenos em escalas muito menores. A compreensão de uma propriedade específica pode ajudar a esclarecer como um material responde a determinadas condições e quais fatores influenciam seu desempenho.
A pesquisa acadêmica, nesse sentido, não se limita à descrição das características de um material. Ela procura explicar seu comportamento, testar hipóteses e produzir conhecimento que possa contribuir para decisões técnicas mais bem fundamentadas.
Em setores nos quais a segurança e a confiabilidade são essenciais, conhecer as propriedades dos materiais é parte importante do desenvolvimento de soluções. O trabalho científico oferece instrumentos para investigar essas questões com maior profundidade e avaliar o desempenho dos materiais em situações que se aproximam de suas condições de uso.
O tempo como parte da investigação científica
Entre os resultados mencionados no memorial, um dado chama a atenção pela dimensão temporal da pesquisa. Nos estudos relacionados ao envelhecimento e à permeação, foi observado que o PA11 ainda apresentava capacidade de atuar como barreira ao dióxido de carbono (CO₂) após 18 anos no mar.
A observação reforça a importância de investigar não apenas o desempenho inicial de um material, mas também suas propriedades depois de períodos prolongados de exposição.
Em aplicações industriais, essa diferença pode ser decisiva. Um material pode apresentar características adequadas quando novo, mas seu comportamento pode mudar em função do ambiente, do tempo de utilização e das condições às quais está submetido. Por isso, compreender o envelhecimento e a permeação é relevante para avaliar a durabilidade e a confiabilidade de determinadas soluções.
A investigação de materiais exige, assim, uma perspectiva que ultrapassa o resultado imediato. É necessário compreender como as propriedades evoluem, quais fatores influenciam essa transformação e em que condições o material mantém sua função.
Esse conhecimento aproxima a pesquisa acadêmica de problemas concretos da indústria. Ao estudar o comportamento dos polímeros ao longo do tempo, os pesquisadores contribuem para ampliar a base técnica necessária à avaliação de materiais e ao desenvolvimento de aplicações.
O exemplo também mostra como a ciência acumula conhecimento. Um resultado observado em determinada condição pode abrir novas perguntas, estimular investigações complementares e contribuir para o entendimento de fenômenos que envolvem segurança, eficiência e vida útil.
Da investigação científica à inovação tecnológica
Produzir conhecimento e transformá-lo em tecnologia são atividades relacionadas, mas não idênticas. A pesquisa procura ampliar a compreensão sobre determinado fenômeno ou problema. A inovação envolve o desenvolvimento e a aplicação de conhecimentos em soluções que possam produzir resultados concretos.
A trajetória apresentada no memorial reúne exemplos dessa relação entre investigação e aplicação. Um deles está associado à economia circular e à possibilidade de transformar materiais descartados em recursos para novas utilizações.
O reaproveitamento de polímeros envolve desafios técnicos que precisam ser compreendidos antes que novas possibilidades possam ser avaliadas. As características dos materiais, as limitações dos processos e as condições necessárias para sua reutilização fazem parte dessa investigação.
O tema ganhou relevância diante da necessidade de repensar a utilização de recursos e os impactos associados à produção e ao descarte. Nesse cenário, a pesquisa científica pode contribuir para identificar alternativas, compreender limitações e ampliar o conhecimento necessário ao desenvolvimento de processos mais sustentáveis.
A economia circular propõe uma perspectiva na qual o ciclo de vida dos produtos recebe atenção desde a concepção até as possibilidades de reaproveitamento. Isso exige considerar não apenas o desempenho de um material durante sua utilização, mas também o que pode acontecer quando ele deixa de cumprir sua função original.
No campo dos polímeros, essa discussão demanda investigação técnica. A possibilidade de reutilizar um material depende de suas propriedades, das condições de processamento e dos requisitos da aplicação pretendida. A pesquisa ajuda a estabelecer parâmetros para avaliar essas possibilidades.
A aproximação entre ciência e inovação ocorre justamente nesse espaço. O conhecimento produzido em laboratório pode contribuir para o desenvolvimento de alternativas, desde que exista um percurso capaz de conectar a investigação às necessidades e condições de aplicação.
Patentes e a conexão entre universidade e setor produtivo
A apresentação do memorial também destacou a concessão de uma patente como um dos resultados da trajetória científica.
Uma patente representa uma forma de proteção de uma invenção e pode marcar uma etapa importante no caminho entre a investigação e a aplicação tecnológica. Seu desenvolvimento está associado a um processo que pode envolver a identificação de um problema, a formulação de hipóteses, a realização de experimentos e a avaliação dos resultados obtidos.
Embora nem toda pesquisa resulte em uma patente, esse tipo de registro ajuda a ilustrar como o conhecimento acadêmico pode dar origem a soluções com potencial de aplicação.
A universidade desempenha um papel estratégico nesse processo porque reúne pesquisadores, estudantes, infraestrutura e conhecimento especializado. Ao mesmo tempo, a colaboração com empresas e outras instituições pode contribuir para aproximar a investigação de desafios encontrados fora do ambiente acadêmico.
Essa relação aparece também na história da COPPE, cuja atuação está ligada à pós-graduação em engenharia e à aproximação entre academia e setor produtivo.
Quando universidades e empresas trabalham em conjunto, podem estabelecer canais para compartilhar conhecimento, identificar problemas e desenvolver projetos. A colaboração não elimina as diferenças entre os objetivos da pesquisa acadêmica e as necessidades da indústria, mas pode criar oportunidades para que essas perspectivas se complementem.
Na trajetória de Marysilvia, as parcerias com instituições e empresas fizeram parte da construção das atividades de pesquisa. Esse histórico reforça a importância da cooperação para ampliar a capacidade de investigação e explorar possibilidades de aplicação dos conhecimentos produzidos.
Materiais e desafios contemporâneos
A pesquisa em materiais também aparece relacionada a áreas que vão além das aplicações tradicionalmente associadas à engenharia metalúrgica.
Entre os temas mencionados no memorial estão estudos com PVDF, material que apresenta resistência à corrosão e cuja pesquisa foi desenvolvida em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A apresentação também citou trabalhos com biomateriais, incluindo investigações que relacionam resinas dentárias e fibras de bambu.
Esses exemplos mostram a diversidade de questões que podem ser abordadas pela ciência dos materiais. Dependendo das propriedades investigadas e das aplicações consideradas, o conhecimento produzido pode dialogar com setores como energia, saúde, infraestrutura e indústria.
A pesquisa com materiais exige compreender as características de cada substância, suas respostas a diferentes condições e as possibilidades de combinação com outros componentes. Essas análises são fundamentais para avaliar se determinado material pode atender aos requisitos de uma aplicação.
No caso dos biomateriais, a investigação também pode aproximar áreas distintas do conhecimento. A relação entre resinas e fibras vegetais, por exemplo, envolve questões próprias da composição e do desempenho dos materiais e pode abrir caminhos para estudos sobre novas combinações.
É importante reconhecer que cada possibilidade depende de avaliação científica específica. A identificação de um material promissor não significa, por si só, que uma aplicação esteja pronta para utilização. Entre a investigação inicial e a adoção de uma tecnologia, podem existir etapas adicionais de desenvolvimento, validação e avaliação.
Ainda assim, é justamente a pesquisa que permite explorar essas possibilidades de maneira estruturada, identificando oportunidades e limitações.
A formação de pesquisadores como parte do legado
Embora os resultados científicos e o desenvolvimento dos laboratórios ocupem um lugar importante na trajetória apresentada, a formação de pessoas aparece como uma das dimensões mais significativas do trabalho da professora.
Durante a defesa do memorial, Marysilvia destacou a satisfação associada à formação de profissionais. Ao longo de sua carreira, estudantes passaram pelos programas de mestrado e doutorado e seguiram caminhos na indústria, no setor público e na academia.
A formação de pesquisadores envolve mais do que a transmissão de conteúdos técnicos. O ambiente de pesquisa oferece oportunidades para aprender a formular perguntas, investigar problemas, analisar resultados e trabalhar em colaboração. Também permite que os estudantes desenvolvam autonomia e compreendam os desafios envolvidos na produção de conhecimento.
A experiência em laboratório pode contribuir para a construção de competências que serão utilizadas em diferentes contextos profissionais. A capacidade de investigar um problema, interpretar informações e fundamentar decisões é relevante tanto para a continuidade de uma carreira acadêmica quanto para a atuação em organizações públicas e privadas.
Esse processo também tem um efeito multiplicador. Profissionais formados em programas de pós-graduação podem levar o conhecimento adquirido para outros ambientes, participar de novos projetos e contribuir para a formação de outras pessoas.
Por isso, o impacto de uma trajetória acadêmica não pode ser medido exclusivamente pela quantidade de publicações, projetos ou patentes. A formação de pessoas representa uma dimensão duradoura do trabalho universitário, ainda que nem sempre seja simples expressá-la em números.
A atuação da professora em disciplinas de graduação e pós-graduação do PEMM e do DME integra essa dimensão de sua carreira. Ela também atua como coordenadora do PRH-ANP 7.1, conforme registrado no material apresentado.
Ao formar novos profissionais, a universidade amplia sua capacidade de produzir e compartilhar conhecimento. Cada estudante que conclui sua formação leva consigo experiências, métodos e aprendizados que podem contribuir para novos projetos e investigações.
Gestão acadêmica e construção de condições para a ciência
A trajetória apresentada também inclui aproximadamente vinte anos de participação em atividades de gestão acadêmica, com envolvimento em diferentes comissões relacionadas à graduação e à pós-graduação. Atualmente, a professora integra a Diretoria de Tecnologia e Inovação da COPPE.
A gestão é uma dimensão menos visível do trabalho científico, mas exerce influência sobre as condições necessárias para que a pesquisa aconteça. A organização de programas, a coordenação de equipes, o planejamento de atividades e a articulação entre diferentes áreas fazem parte da estrutura que sustenta o funcionamento das instituições acadêmicas.
Laboratórios precisam de recursos e planejamento. Programas de formação precisam organizar suas atividades. Projetos dependem de coordenação e colaboração. As decisões administrativas e institucionais ajudam a estabelecer as condições em que pesquisadores e estudantes desenvolvem seus trabalhos.
Nesse contexto, a participação em atividades de gestão permite acompanhar desafios que ultrapassam os limites de uma linha de pesquisa específica. A experiência acumulada pode contribuir para compreender as necessidades da instituição e as formas de articular pessoas, recursos e objetivos.
A presença da tecnologia e da inovação nessa dimensão amplia o diálogo entre pesquisa, gestão universitária e setor produtivo. A articulação entre essas áreas pode contribuir para criar condições favoráveis ao desenvolvimento de projetos e à circulação do conhecimento.
A trajetória de uma professora universitária, portanto, também pode ser compreendida pelas responsabilidades assumidas na organização da instituição e pela contribuição para ambientes em que outras pessoas possam pesquisar, ensinar e aprender.
Uma universidade mais próxima da sociedade
A aproximação entre universidade e sociedade também foi destacada durante a apresentação do memorial. Entre os exemplos citados está o papel do Metalmat como espaço aberto à visitação de estudantes do ensino médio interessados em conhecer as atividades desenvolvidas.
Iniciativas desse tipo ajudam a tornar a pesquisa científica mais acessível a públicos que ainda não tiveram contato direto com laboratórios e grupos de investigação.
Para um estudante que está começando a pensar em sua formação profissional, conhecer um ambiente de pesquisa pode representar uma oportunidade de descobrir possibilidades que antes não faziam parte de seus planos. O contato com pesquisadores e a observação de atividades científicas podem ajudar a tornar mais concreta a ideia de seguir uma carreira nessa área.
A divulgação do conhecimento também contribui para aproximar a universidade de diferentes segmentos da sociedade. Quando as atividades acadêmicas são apresentadas de maneira compreensível, aumenta a possibilidade de que pessoas de fora desse ambiente conheçam os projetos, compreendam seus objetivos e identifiquem pontos de conexão com suas próprias experiências.
Essa relação é importante porque a universidade não existe isolada dos desafios sociais, econômicos e tecnológicos. A produção científica pode contribuir para compreender problemas e desenvolver soluções, enquanto o contato com a sociedade ajuda a revelar novas perguntas e necessidades.
A abertura dos espaços de pesquisa representa, assim, uma dimensão da atuação universitária que complementa o ensino, a investigação e a formação de profissionais.
Colaboração como parte do trabalho científico
Ao longo de aproximadamente três décadas, a trajetória apresentada reuniu artigos, projetos, financiamentos e colaborações com diferentes instituições. O material também registra financiamentos provenientes do setor de óleo e gás destinados ao LPCM.
Esse conjunto de relações revela a importância da colaboração na ciência contemporânea. Projetos de pesquisa podem exigir conhecimentos especializados, equipamentos, recursos e experiências que dificilmente se concentram em uma única equipe.
A cooperação entre universidades, laboratórios, empresas e instituições internacionais permite reunir competências e ampliar as possibilidades de investigação. Cada participante pode contribuir com uma perspectiva específica, enquanto o trabalho conjunto favorece a troca de experiências e o desenvolvimento de novas abordagens.
A dimensão internacional da carreira também aparece em diferentes momentos, tanto na formação e atuação como pesquisadora quanto, posteriormente, na experiência como diretora da COPPE.
Essas conexões ganham relevância diante de problemas que envolvem diferentes áreas do conhecimento. Questões relacionadas a energia, sustentabilidade, novos materiais e saúde podem exigir abordagens interdisciplinares e colaboração entre grupos com experiências distintas.
A cooperação não substitui o trabalho individual de cada pesquisador. Ela cria condições para que conhecimentos diferentes sejam reunidos em torno de objetivos comuns, ampliando o alcance das investigações.
Inteligência artificial e as novas possibilidades da pesquisa
A inteligência artificial esteve entre os temas mencionados no encerramento da apresentação. A tecnologia foi apontada como uma ferramenta que precisa ser incorporada à pesquisa para contribuir com novos avanços.
Sua presença nas atividades científicas abre possibilidades para analisar grandes volumes de dados, identificar padrões e apoiar determinadas etapas de investigação. Ao mesmo tempo, seu uso exige conhecimento para definir problemas, avaliar resultados e compreender as limitações das ferramentas empregadas.
A tecnologia pode acelerar processos, mas não elimina a necessidade de interpretação crítica. Os resultados produzidos precisam ser examinados à luz do conhecimento científico, das evidências disponíveis e dos objetivos de cada pesquisa.
A formulação de boas perguntas continua sendo essencial. Antes de utilizar uma ferramenta, é necessário compreender qual problema se pretende investigar, quais informações são relevantes e de que maneira os resultados podem contribuir para a análise.
Nesse cenário, a combinação entre experiência científica, conhecimento especializado e recursos tecnológicos pode ampliar as possibilidades de trabalho. A inteligência artificial passa a integrar um conjunto de instrumentos disponíveis aos pesquisadores, sem substituir a responsabilidade humana pelas decisões e pela interpretação dos resultados.
A discussão também reforça a importância da formação contínua. À medida que novas tecnologias surgem, profissionais e instituições precisam avaliar suas aplicações, compreender seus limites e identificar oportunidades de uso responsável.
Pesquisa em materiais, sustentabilidade e transição energética
Os desafios relacionados à sustentabilidade e à transição energética também aparecem entre as perspectivas de continuidade da trajetória científica apresentada no memorial.
A transição energética envolve muito mais do que a geração de energia. Ela depende dos materiais utilizados em equipamentos, estruturas e sistemas, além de questões relacionadas à eficiência, à durabilidade, à manutenção e ao reaproveitamento de recursos.
Nesse contexto, a pesquisa em polímeros e outros materiais pode contribuir para investigar propriedades relevantes para diferentes aplicações. O estudo do envelhecimento, da permeabilidade e da resistência ajuda a compreender como os materiais se comportam em condições específicas e quais limitações precisam ser consideradas.
Essas questões também se relacionam à sustentabilidade. A escolha de materiais, sua vida útil e as possibilidades de reutilização fazem parte de discussões sobre os impactos dos processos produtivos e a utilização de recursos.
O desenvolvimento de alternativas exige pesquisa, testes e avaliação técnica. Não existe uma solução única para todos os desafios, e cada aplicação apresenta requisitos próprios. O conhecimento científico ajuda a identificar caminhos possíveis e a fundamentar decisões sobre materiais e processos.
Ao conectar essas questões à economia circular e à inovação tecnológica, a pesquisa amplia sua relação com desafios contemporâneos da indústria e da sociedade.
Uma trajetória que continua em construção
A defesa de memorial da professora Marysilvia Ferreira da Costa reuniu diferentes dimensões de uma carreira dedicada à ciência e à universidade. Da formação em Química à atuação na UFRJ, da estruturação da pesquisa em polímeros às parcerias institucionais, o percurso apresentado evidencia o papel da continuidade na construção do conhecimento.
Também revela que uma trajetória acadêmica é formada por atividades que se complementam. A pesquisa amplia o conhecimento disponível. A inovação procura transformar esse conhecimento em novas possibilidades. A gestão contribui para organizar as condições necessárias ao trabalho científico. E a formação de pessoas permite que o aprendizado continue circulando entre gerações de profissionais.
Os resultados de uma carreira não se encerram com a conclusão de um projeto ou a publicação de um artigo. Eles podem permanecer nos laboratórios estruturados, nas parcerias construídas, nos conhecimentos compartilhados e nas pessoas que seguem desenvolvendo suas próprias trajetórias.
A ciência avança porque novas perguntas surgem a partir das respostas encontradas. Cada investigação pode abrir caminhos para outros estudos, assim como cada profissional formado pode contribuir para novos projetos e descobertas.
Essa continuidade ajuda a compreender o significado de uma trajetória acadêmica. Mais do que olhar para as conquistas acumuladas, trata-se de reconhecer as condições criadas para que outras pessoas possam avançar e para que novos conhecimentos sejam produzidos.
A história apresentada no memorial mostra que a inovação não depende apenas de ferramentas ou descobertas isoladas. Ela também exige tempo, colaboração, investimento, formação e disposição para investigar problemas que ainda não possuem respostas definitivas.
É nesse encontro entre ciência, tecnologia e pessoas que a universidade encontra parte de sua capacidade de transformação.
Tecnologia, conhecimento e inovação precisam caminhar juntos
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Histórias como a trajetória da professora Marysilvia Ferreira da Costa ajudam a lembrar que a transformação não acontece apenas com a introdução de novas ferramentas. Ela depende da compreensão dos problemas, da colaboração entre pessoas e da capacidade de transformar conhecimento em soluções conectadas às necessidades reais.
Esse princípio também orienta o desenvolvimento de experiências digitais. Sites, plataformas e sistemas precisam ir além da funcionalidade técnica: devem comunicar com clareza, oferecer boas experiências e contribuir para os objetivos das organizações e das pessoas que os utilizam.
A aproximação entre tecnologia e propósito é parte essencial desse processo.
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